quinta-feira, 15 de outubro de 2009

NAMORO NA FEIRA



“Namorar é preciso - com todo mundo, o tempo todo. Esse namoro de que estou falando não tem nenhuma conotação sexual - não necessariamente; é uma coisa leve, de um charme suave, que deveria existir entre todas as pessoas, em todos os momentos do dia, o que faria da vida algo de bem interessante. Namorai-vos uns aos outros deveria ser um lema: o amai-vos a gente deixa para depois, até porque é mais complicado... A feira é um lugar onde esse charme existe o tempo todo...” Eita Danuza, você é mesmo uma leoa pra destrinchar os momentos da vida... A feira é terreno fértil pro flerte, é campo minado de coisas boas, bombado de cores; é concentração de cheiros e sabores; é a vida nua e crua expressa na rua e no linguajar debochado e faceiro dos feirantes... E aí freguesa bonita, vai levar a banana do Gervásio hoje? Vamos aproveitar os melões da Aninha que são doces feito mel! Só caqui que é bom, caqui gostoso e barato é comigo aqui! O amor é cego, o jeito é apalpar, mas apalpa sem machucar senão vai ter que levar! Amém, amém – amém?!- doim pra torrar no capricho pro tira-gosto do patrão! Tem promoção e pra mocinha! Seu marido não é mais aquele? kiwi nele! Olha o pepino, tem do grosso e tem do fino! Ajuda aí madama, meu filho nasceu e o pai não sou eu!... É a marca da feira-livre no grito solto do feirante exaltando seu produto na confusão organizada. Pechinchar vira prazer e a dúzia agora é de treze, ôba! É a vida negociada ali e acolá... dá até pra “chorar” na barraca do Ramalho onde tudo já é barato pra caramba! Tudo isso por puro prazer, “e pobre dos que são imunes a isso, não sabem o que perdem.” A história da humanidade está abarrotada de referências às feiras. Não se sabe ao certo onde e quando apareceu a primeira delas, mas registros nos permitem afirmar que em 500 a.C. já haviam feiras no Oriente Médio. Os primeiros registros aparecem com referências ao comércio, às festividades religiosas e aos dias santos. E é fato que a religião andou de “namorico” com o comércio pois a palavra latina feria, que significa dia santo, feriado, é a palavra que deu origem à portuguesa feira. E para honrar a origem do nome, aqui vai a receita da salada portuguesa pra ser comida segunda-feira, terça-feira, quarta-feira... Corte em rodelas, 1 cebola roxa, 1 tomate-caqui, 1 pimentão vermelho e tempere tudo com um punhadinho de sal-grosso, 1/2 colher de sopa de vinagre de vinho tinto, 1 colher de sopa rasa de azeite de oliva (escolha um de baixa acidez) e misture até parar de ouvir o tilitar dos cristais de sal na saladeira. Deixe-se seduzir pela simplicidade e o frescor dessa saladinha... Bon appétit!

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